Resposta directa
O objetivo de uma reabilitação com prótese fixa é devolver um sorriso com aspeto natural. Em muitos casos, os dentes emergem da gengiva do próprio paciente, sem gengiva artificial, com um aspeto muito semelhante ao dos dentes naturais.
Noutros casos, a perda de estrutura óssea obriga a repor também a gengiva. Essa gengiva artificial é caracterizada de modo a assegurar a naturalidade do resultado.
Esta é uma das preocupações mais frequentes de quem pondera uma reabilitação fixa, e raramente é colocada de forma directa. Merece uma resposta clara.
O que determina a naturalidade do resultado não é apenas a execução da prótese. É, antes disso, o planeamento cirúrgico: avaliar a estrutura óssea e gengival que se perdeu, e estabelecer a partir daí o posicionamento correto dos implantes, para que a prótese possa ser executada com as proporções adequadas.
Uma classificação utilizada em implantologia distingue as próteses fixas de acordo com as estruturas que substituem: FP-1, FP-2 e FP-3 [1].
As próteses FP-1 e FP-2 caracterizam-se por reproduzir apenas os dentes: não há gengiva artificial, não há transição visível. Cada dente emerge da gengiva do próprio paciente, e todo o trabalho estético se concentra na forma, na cor e na caracterização dos dentes. Exigem condições ósseas e gengivais compatíveis com esse resultado.
A prótese FP-3 substitui os dentes e ainda o volume dos tecidos que se perderam, incluindo uma componente de gengiva artificial caracterizada. É a solução indicada quando existe uma perda extensa de estrutura óssea, e é o que permite devolver proporções adequadas aos dentes quando essa perda o exigiria de outro modo.
Esta classificação ajuda a explicar as opções, mas não estabelece uma hierarquia estética: cada desenho tem as suas indicações e as suas limitações.
A escolha depende sobretudo de três fatores clínicos, considerados em conjunto com as expectativas do paciente.
A quantidade de tecido perdido. Quando existe perda importante de osso e gengiva, substituir apenas os dentes originaria proporções pouco naturais. Nesses casos é necessário avaliar como recuperar o volume em falta — através da prótese e, quando indicado, de procedimentos de reconstrução dos tecidos.
A linha do sorriso. A quantidade de dentes e de gengiva que fica exposta ao sorrir condiciona o resultado estético. Numa prótese com gengiva artificial, é particularmente importante avaliar se a transição para a gengiva do paciente fica visível. Uma linha do sorriso alta torna essa integração mais exigente.
O suporte do lábio. A perda de dentes e de tecidos altera o apoio do lábio superior. O planeamento avalia quanto desse suporte precisa de ser recuperado e de que forma, mantendo proporções faciais adequadas e condições para a higiene.
Porque se planeia antes da cirurgia
A posição em que os implantes ficam condiciona a forma e a posição da futura prótese. Um implante colocado apenas onde havia osso disponível, sem considerar a reabilitação pretendida, pode obrigar a compromissos na estética, na função ou no acesso à higiene.
Por isso o planeamento começa pela posição dos futuros dentes e pela sua relação com o rosto. A partir daí determino a posição dos implantes e a eventual necessidade de intervir nos tecidos.
As nossas clínicas integram um laboratório interno de prótese dentária. Isso permite uma comunicação direta entre o médico dentista e o técnico de prótese que irá executar a reabilitação final, e o acompanhamento de todas as fases do trabalho.
Essa proximidade permite relacionar os ajustes da prótese com aquilo que observo clinicamente: a forma como o paciente sorri, fala e mastiga, o suporte dos lábios, a facilidade de higienização.
Na confeção, consideram-se tanto os detalhes estéticos como os requisitos biológicos e funcionais: o perfil de emergência — a forma como a prótese se relaciona com a gengiva —, os contornos das superfícies, o acesso à higiene e os contactos entre os dentes.
A estética trabalha-se na forma individual de cada dente, na cor, na translucidez e na textura da superfície. Quando existe gengiva artificial, também a sua forma e caracterização fazem parte desse trabalho.
O objetivo é construir um sorriso que se integre nas características e nas preferências de cada pessoa.
A avaliação considera o volume ósseo e gengival remanescente, a exposição dos dentes em repouso, a linha do sorriso, o movimento dos lábios ao falar e a sorrir, e as expectativas estéticas do paciente.
Fotografias, vídeos e provas da reabilitação, quando indicados, ajudam a avaliar essa integração e a comunicar o resultado pretendido.
Recorremos com frequência a scanner facial, que permite realizar um planeamento prévio do sorriso. É esse planeamento que nos dá a certeza do tipo de reabilitação que vamos obter, e que torna o resultado previsível antes de qualquer intervenção.
Antes de iniciar uma reabilitação, todos estes aspetos são discutidos com o paciente: se será necessária gengiva artificial, que proporções dentárias são possíveis, e quais os compromissos previsíveis. O resultado é depois afinado e reavaliado ao longo do tratamento.
Esta é uma conversa que temos no início, para que o paciente compreenda o plano e participe nas decisões sobre o seu sorriso.
Nota bibliográfica
O tipo de reabilitação possível determina-se antes de qualquer intervenção.
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