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O que é o sistema All-on-4?

Resposta directa

É um protocolo de reabilitação de arcadas totais, em que uma reabilitação oral fixa assenta em quatro implantes: dois colocados na região anterior e dois na região posterior. Sobre eles é instalada uma prótese fixa provisória imediata, no próprio dia da cirurgia.

Os implantes posteriores são angulados para evitar procedimentos de regeneração óssea e para permitir que a reabilitação obtenha suporte na zona posterior da arcada.

A designação All-on-4 é uma marca registada de um fabricante de implantes. O princípio em que assenta — colocar quatro implantes, com os dois posteriores angulados para obter um apoio mais favorável — não é exclusivo de nenhum sistema de implantes, e está descrito na literatura de forma independente da marca.

Porque se angulam os implantes posteriores

Nas regiões posteriores, a altura de osso disponível está frequentemente limitada. No maxilar superior, essa limitação resulta da reabsorção que se segue à perda dos dentes e da expansão do seio maxilar. Na mandíbula, a reabsorção pode deixar pouca altura de osso acima do canal onde passa o nervo alveolar inferior.

Nestas condições, colocar implantes verticais exigiria procedimentos adicionais ou outra estratégia de reabilitação.

A colocação angulada permite aproveitar osso situado mais à frente, mantendo o ponto de ligação à prótese numa posição mais posterior. O implante apoia-se no osso existente e emerge mais atrás do que a sua base, o que torna possível contornar limitações anatómicas e, em muitos casos, evitar o enxerto ósseo.

Há um segundo efeito: quanto mais posterior ficar o último ponto de apoio, menor é a porção da prótese que se prolonga para além dele — o cantilever.

Essa extensão funciona como um braço de alavanca. Para uma mesma força mastigatória, uma extensão maior aumenta o efeito de alavanca sobre o conjunto formado pela prótese e pelos implantes. O seu comprimento é, por isso, um dos parâmetros a controlar no planeamento.

O que diz a evidência

Uma revisão publicada em 2025, que reuniu oito revisões sistemáticas sobre o tema, reporta taxas de sobrevivência acumulada entre 94,8% e 99,3% e perda óssea marginal média entre 1,1 mm e 1,5 mm [1].

As revisões incluídas não identificaram diferenças estatisticamente significativas que apontassem para resultados inferiores do protocolo sobre quatro implantes face a abordagens com mais implantes. Importa ser preciso quanto ao alcance desta conclusão: a ausência de diferenças estatísticas não demonstra que as opções sejam equivalentes em todas as situações clínicas [1].

Quanto à experiência do paciente, uma revisão sistemática que reuniu 693 pacientes em onze estudos, com acompanhamento entre três meses e sete anos, encontrou níveis elevados de satisfação e de qualidade de vida relacionada com a saúde oral [2].

Há ainda uma consideração prática associada ao número de implantes. Cada implante acrescenta uma zona de transição entre o implante e a prótese que tem de ser higienizada diariamente. Um número menor de apoios significa menos dessas zonas — e o acesso à higiene é um dos fatores determinantes para a saúde dos tecidos em redor dos implantes a longo prazo.

É necessário extrair todos os dentes?

Este protocolo aplica-se em duas situações: arcadas já sem dentes, e arcadas em que os dentes presentes estão comprometidos ao ponto de não haver viabilidade de os manter em boca.

Quando ainda existem dentes, é essencial avaliar o prognóstico de cada um e o seu papel numa possível reabilitação. Uma revisão sistemática sobre próteses totais fixas sobre implantes recomenda expressamente que se evite a extração de dentes com prognóstico satisfatório apenas para viabilizar esse tipo de tratamento [3].

A existência de alguns dentes comprometidos não constitui, por si só, indicação para extrair toda a arcada. É necessário perceber quais podem ser mantidos, e com que perspetiva de estabilidade, função e manutenção.

É esse o objeto da consulta de avaliação: determinar a viabilidade dos dentes presentes na arcada, e a partir daí perceber se este protocolo faz sentido para o caso.

Quando pode ser necessária outra abordagem

Este protocolo pressupõe osso disponível para ancorar quatro implantes em posições adequadas. A instalação de uma prótese no próprio dia exige, além disso, estabilidade suficiente e condições clínicas favoráveis.

Em situações de atrofia óssea severa, a configuração convencional pode não ser viável. No maxilar superior podem então ser avaliadas outras estratégias de ancoragem — designadamente os implantes zigomáticos, isoladamente ou em combinação com outras técnicas —, cuja indicação depende da anatomia e das necessidades da reabilitação [4].

Também pode ser adequado planear uma prótese sobre cinco, seis ou mais implantes. Nesse caso, trata-se de uma reabilitação total com outra configuração.

O número de implantes deve resultar do planeamento individual. A quantidade, por si só, não substitui uma distribuição adequada dos apoios nem um desenho protético ajustado ao paciente.

Como se decide

A decisão assenta na avaliação clínica e no estudo do volume e da distribuição do osso remanescente, habitualmente através de tomografia computorizada de feixe cónico — CBCT.

Considero também a condição dos dentes presentes, os tecidos gengivais, a forma como os dentes contactam, as necessidades estéticas, o estado de saúde geral e as condições para manter a higiene da futura prótese.

Quando um paciente me procura a perguntar por All-on-4, começo por perceber o que pretende alcançar: recuperar dentes fixos, melhorar a mastigação, evitar enxertos, reduzir o tempo de tratamento. A avaliação determina se este protocolo responde a esses objetivos, ou se outra abordagem oferece condições mais favoráveis para o seu caso.

Referências bibliográficas

  1. Figueiredo CE, de Oliveira NE, Cassimiro G, de Andrade Vieira W, de Paula Santos GP, Paranhos LR, Sotto-Maior BS. Rehabilitation of edentulous jaws using the "All-on-Four" treatment concept: an overview of systematic reviews. Oral Maxillofac Surg. 2025;30(1):6. doi:10.1007/s10006-025-01492-7 · PMID 41372686
  2. Gonçalves GSY, de Magalhães KMF, Rocha EP, dos Santos PH, Assunção WG. Oral health-related quality of life and satisfaction in edentulous patients rehabilitated with implant-supported full dentures all-on-four concept: a systematic review. Clin Oral Investig. 2022;26(1):83–94. doi:10.1007/s00784-021-04213-y · PMID 34647147
  3. Kwon T, Bain PA, Levin L. Systematic review of short- (5–10 years) and long-term (10 years or more) survival and success of full-arch fixed dental hybrid prostheses and supporting implants. J Dent. 2014;42(10):1228–1241. doi:10.1016/j.jdent.2014.05.016 · PMID 24975989
  4. Al-Nawas B, Aghaloo T, Aparicio C, Bedrossian E, Brecht L, Chow J, Davó R, Malevez C, Polido WD, Raghoebar GM, Tuminelli FJ, Vissink A, Wu Y, et al. ITI consensus report on zygomatic implants: indications, evaluation of surgical techniques and long-term treatment outcomes. Int J Implant Dent. 2023;9(1):28. doi:10.1186/s40729-023-00489-9 · PMID 37698775
Dr. Gonçalo Jesus Médico dentista · Cédula profissional OMD n.º 10234 Atualizado em Setembro de 2026

Avaliação de indicação

O número de implantes e a técnica determinam-se por avaliação imagiológica, caso a caso.

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