‹ Perguntas frequentes

Como é a recuperação depois de uma cirurgia de implantes?

Resposta directa

A resposta inflamatória é mais acentuada nas primeiras 48 a 72 horas após a cirurgia, sob a forma de edema, e regride progressivamente ao longo da primeira semana.

A cicatrização é, no entanto, um processo individual. O ritmo de recuperação depende da extensão da cirurgia, da resposta de cada pessoa e do cumprimento das indicações pós-operatórias.

Importa referir que, apesar de a cicatrização ser um processo individual, a resposta inflamatória é determinada ainda bem antes da cirurgia.

Toda a cirurgia deve ser realizada de forma minimamente invasiva, de modo a que o processo inflamatório pós-cirúrgico seja o menor possível para o paciente. Para isso é determinante que o médico dentista planeie o caso sobre uma tomografia computorizada de feixe cónico — CBCT — e recorra a métodos precisos de execução, como a cirurgia guiada ou a cirurgia navegada, que permitem cumprir o planeamento definido e evitar intervenções mais invasivas do que o necessário.

É normal ter dor ou inchaço?

Pode existir algum desconforto na região operada, sobretudo nos primeiros dias. Em geral a medicação prescrita permite controlá-lo, e deve ser tomada respeitando as doses e os horários indicados — não apenas quando a dor aparece.

O edema, também vulgarmente designado por inchaço, é variável de pessoa para pessoa. Em alguns casos pode ser muito discreto. Tende a aumentar durante as primeiras 48 a 72 horas e só depois começa a diminuir: é a evolução esperada da resposta inflamatória decorrente da cirurgia.

Seguir as recomendações pós-operatórias é determinante nesta fase. A aplicação regular de gelo no exterior da face durante as primeiras 48 a 72 horas, protegendo sempre a pele, é fundamental para limitar o edema e para o ajudar a diminuir.

Dependendo da complexidade e da extensão da cirurgia, é normal surgirem hematomas na face. Surgem geralmente após as primeiras 24 horas e desaparecem gradualmente.

Uma pequena quantidade de sangue na saliva é habitual nas primeiras horas. Para evitar sangramento, não deve realizar esforço físico nem baixar a cabeça, de modo a não aumentar a pressão arterial.

Caso exista sangramento, deve aplicar compressão com uma gaze limpa, conforme as indicações dadas após a cirurgia pelo seu médico dentista, ou contactar de imediato a clínica e a equipa de assistentes.

O que posso comer depois da cirurgia?

Após a realização de uma cirurgia são sempre dadas indicações para a alimentação, adequadas ao tipo e à extensão da intervenção a que foi submetido.

Nos primeiros dias deve preferir alimentos de consistência mole, frios ou à temperatura ambiente, que não exijam qualquer tipo de mastigação na região operada. É nesta altura que ocorre o pico da resposta inflamatória, e por isso importa criar as condições para que não exista trauma nem agravamento do edema.

Nas primeiras horas: iogurte, gelatina, batidos, sopas frias, gelado. Os batidos devem ser tomados à colher ou pelo copo, e não com palhinha — é uma precaução corrente, destinada a evitar sucção sobre a zona operada nas primeiras 24 horas.

Nos dias seguintes deve manter-se a consistência mole: sopas e purés mornos ou à temperatura ambiente, ovos mexidos, peixe cozido, queijo fresco, massa bem cozida, fruta cozida ou em puré.

Devem evitar-se em absoluto alimentos crocantes, duros, ou que exijam muita mastigação.

Um critério prático que dispensa listas: se o alimento precisa de ser cortado com faca ou trincado com força, ainda não é altura de o introduzir na alimentação.

Após a cirurgia, e enquanto durar o efeito da anestesia local, é muito importante que tenha especial cuidado para não morder o lábio ou a bochecha.

O regresso à alimentação habitual é progressivo e depende da cirurgia realizada e do tipo de reabilitação.

Numa cirurgia mais simples — a colocação de um implante isolado, sem enxerto ósseo associado — é habitual que a alimentação regresse à normalidade poucos dias depois. Em reabilitações mais extensas, o cuidado com a alimentação mantém-se, em regra, ao longo do primeiro mês.

Quando existe carga imediata

É aqui que as indicações merecem mais atenção, porque existe um dente ou uma prótese fixa em boca desde o primeiro dia. O conforto proporcionado pela carga imediata é tal que o paciente, sentindo-se confortável, pode esquecer que a integração ainda está a decorrer.

Na substituição de um dente. Num incisivo central, por exemplo, pode colocar-se o implante e sobre ele um provisório imediato, para devolver estética ao paciente. Nesse caso é essencial manter a alimentação mole e não trincar com os dentes da frente, de modo a evitar micromovimentos sobre o implante.

Numa prótese fixa total sobre implantes. A prótese não devolve apenas estética: está em função, e a alimentação vai gerar carga sobre os implantes. Como estes são posicionados em zonas estratégicas, essa força distribui-se pelo conjunto dos implantes. E por isso, durante a fase de cicatrização, é importante controlar a alimentação, principalmente ao longo do primeiro mês, para que não haja excesso de carga que prejudique a osteointegração.

A razão é biomecânica e está bem estabelecida. Não é a carga em si que impede a integração do implante: é o excesso de micromovimento durante a fase de cicatrização que interfere com a formação de osso e favorece a interposição de tecido fibroso. Existe um limiar de micromovimento tolerado, situado entre os 50 e os 150 micrómetros [5]. Controlar a alimentação nesta fase é uma das formas de o manter abaixo desse limiar.

Alimentação antes e depois da cirurgia: indicações detalhadas ›

Como devo fazer a higiene oral?

É muito importante que a higiene oral não seja suspensa após a cirurgia. Deve, sim, ser adaptada ao contexto cirúrgico a que foi submetido.

A escovagem mantém-se nas zonas não operadas desde o primeiro dia, com o mesmo rigor que teria normalmente. Junto da região intervencionada, o cuidado é acrescido.

A limpeza de toda a cavidade oral permite mantê-la com menor carga bacteriana, o que diminui a inflamação gengival e favorece a cicatrização.

A limpeza da zona intervencionada segue as instruções recebidas. É geralmente recomendada uma escova cirúrgica, cujas cerdas são extremamente macias, destinada à limpeza da área operada.

Nalguns casos é prescrito um gel ou um colutório antisséptico, habitualmente à base de clorhexidina, a utilizar durante o período indicado. Após observação clínica e avaliação da cicatrização, ser-lhe-á explicado quando pode retomar a higiene habitual.

Uma nota sobre a clorhexidina

Os géis e colutórios de clorhexidina podem provocar pigmentação dos dentes e das estruturas adjacentes. É precisamente por isso que a escovagem dos dentes não operados não deve ser interrompida: quando se usa este tipo de antisséptico sem manter a escovagem, a coloração instala-se com facilidade.

É importante ter conhecimento de que a acumulação de placa bacteriana na zona operada compromete a cicatrização. Manter a boca limpa faz parte dos cuidados de cicatrização, tanto como o repouso ou a medicação.

É igualmente importante que o médico dentista ou a assistente expliquem os cuidados a ter e a forma correta de efetuar a higienização. Nos casos em que foi realizado enxerto ósseo ou enxerto gengival, essa explicação é determinante: a integração destes enxertos exige estabilidade dos tecidos na zona operada, e micromovimentos provocados por uma higienização incorreta podem comprometê-la.

Quando posso voltar ao trabalho?

A retoma do trabalho deve ser discutida com o médico dentista, uma vez que depende da extensão e da complexidade da cirurgia.

Em cirurgias mais simples, pode regressar ao trabalho no dia seguinte, sobretudo se a atividade não exigir esforço físico. Cirurgias mais complexas podem justificar mais alguns dias de recuperação.

O exercício físico intenso deve ser adiado durante os primeiros dias. Se está habituado a praticar exercício físico, comunique-o ao seu médico dentista: é um dado a ter em conta na decisão sobre quando poderá retomar a atividade habitual, e sobre a forma de o fazer — progressiva, e começando por intensidades moderadas.

Se a cirurgia tiver sido realizada sob sedação, cumpra também as instruções específicas relativas à condução e ao regresso às atividades habituais.

Posso fumar durante a recuperação?

Na colocação de implantes dentários é muito importante ter conhecimento de que o tabagismo é um fator determinante, que pode condicionar a cicatrização dos tecidos peri-implantares e a osteointegração do implante.

Uma revisão sistemática com meta-análise que reuniu 292 publicações, comparando 35.511 implantes colocados em fumadores com 114.597 em não fumadores, encontrou um risco de falência significativamente superior nos fumadores — odds ratio de 2,40 — e uma perda óssea marginal em média 0,58 mm maior [1].

O risco aumenta com o consumo. Noutra meta-análise, em pacientes que fumavam mais de 20 cigarros por dia, o risco relativo de falência foi quatro vezes superior ao dos não fumadores [2].

Recomenda-se, por isso, a cessação tabágica antes de iniciar o tratamento, mantida a longo prazo.

Se é fumador, deve informar a clínica, para que a preparação cirúrgica seja trabalhada consigo nesse sentido e consiga cessar o hábito ainda antes da cirurgia — e não apenas no pós-operatório imediato. É um fator que altera a probabilidade de sucesso do tratamento.

Importa ter presente que o sucesso e a longevidade de uma reabilitação com implantes não dependem apenas da técnica cirúrgica utilizada. Dependem, em grande medida, das condições de saúde do paciente e dos seus hábitos — e o tabagismo é um dos de maior impacto.

É necessário tomar antibiótico?

A necessidade de antibiótico é avaliada caso a caso, tendo em conta o estado de saúde do paciente e a intervenção prevista.

Por norma, é prescrito antibiótico nas cirurgias de colocação de implantes. A razão é conhecida: uma infeção pós-operatória torna a falência do implante mais provável, e preveni-la é uma preocupação legítima do planeamento.

Ainda assim, a prescrição não deve ser tomada como universal. É uma decisão clínica, que compete ao médico dentista fundamentar em cada caso.

A evidência clínica não é unânime. Existem revisões que reportam uma redução da falência de implantes com profilaxia antibiótica [3].

Existem também revisões sistemáticas que reuniram ensaios clínicos aleatorizados — num caso, sete ensaios, 1.859 pacientes e 3.014 implantes — e não encontraram diferença estatisticamente significativa na falência precoce entre profilaxia antibiótica e placebo, em pacientes globalmente saudáveis. Os autores concluem que os resultados não sustentam a prescrição de rotina [4].

A conclusão prática é a mesma que já se enunciou: a prescrição deve ser avaliada caso a caso e não tomada como universal. Se lhe for prescrito um antibiótico, cumpra a dose e a duração indicadas.

Quando são feitas as consultas de controlo?

Após a cirurgia é marcada uma consulta de controlo nos dias seguintes, para avaliar a cicatrização. As consultas posteriores são marcadas de acordo com a evolução e com o tratamento realizado.

Estas consultas servem também para ir dando as indicações adequadas a cada momento da cicatrização: os cuidados que fazem sentido na primeira semana não são os mesmos do primeiro mês.

Importa ter atenção a uma distinção. A melhoria do desconforto, após o pico da inflamação, é um bom sinal na avaliação da cicatrização — mas não significa que a integração dos implantes esteja concluída.

É por isso importante manter os cuidados indicados pelo médico dentista, para que se possa avançar com a reabilitação definitiva o mais rapidamente possível após a osteointegração dos implantes e a cicatrização dos tecidos.

Em que situações devo contactar a equipa clínica?

Sinais que justificam contacto

Deve contactar a clínica se, a partir do terceiro dia — depois de já ter havido melhoria —, o desconforto ou o edema voltarem a aumentar.

Deve igualmente contactar-nos caso surja febre, sangramento persistente da zona operada que não cede com a compressão indicada, ou dormência do lábio, do queixo ou da língua que se mantenha para além do período esperado da anestesia.

É importante estar atento aos sinais de inflamação nesta fase.

Não precisa de esperar pela consulta de controlo para esclarecer uma dúvida sobre a recuperação. A avaliação permite perceber se a evolução está dentro do esperado ou se é necessário algum cuidado adicional.

É por isso que damos tanta importância ao contacto próximo com o paciente. Só com uma cicatrização cuidada e acompanhada é possível obter resultados previsíveis e estáveis.

Referências bibliográficas

  1. Mustapha AD, Salame Z, Chrcanovic BR. Smoking and dental implants: a systematic review and meta-analysis. Medicina (Kaunas). 2021;58(1):39. doi:10.3390/medicina58010039 · PMID 35056347
  2. Naseri R, Yaghini J, Feizi A. Levels of smoking and dental implants failure: a systematic review and meta-analysis. J Clin Periodontol. 2020;47(4):518–528. doi:10.1111/jcpe.13257 · PMID 31955453
  3. Torof E, Morrissey H, Ball PA. Antibiotic use in dental implant procedures: a systematic review and meta-analysis. Medicina (Kaunas). 2023;59(4):713. doi:10.3390/medicina59040713 · PMID 37109671
  4. Momand P, Naimi-Akbar A, Hultin M, Lund B, Götrick B. Is routine antibiotic prophylaxis warranted in dental implant surgery to prevent early implant failure? A systematic review. BMC Oral Health. 2024;24(1):842. doi:10.1186/s12903-024-04611-0 · PMID 39054434
  5. Szmukler-Moncler S, Piattelli A, Favero GA, Dubruille JH. Considerations preliminary to the application of early and immediate loading protocols in dental implantology. Clin Oral Implants Res. 2000;11(1):12–25. doi:10.1034/j.1600-0501.2000.011001012.x · PMID 11168189
Dr. Gonçalo Jesus Médico dentista · Cédula profissional OMD n.º 10234 Atualizado em Setembro de 2026

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